Como não se deve fazer uma redação no vestibular
Hoje em dia, todo mundo quer fazer uma faculdade, pensando em se dar bem na vida mais tarde. Por isso, todos querem chegar lá, estudando muito, fazendo os chamados cursinhos, enfim, procurando correr atrás dos seus objetivos. Nesse mundo competitivo em que vivemos, não podemos ficar de braços cruzados. Se o candidato quiser ingressar numa universidade, de preferência pública, gratuita e de qualidade, precisa fazer por merecer: essa é a verdade nua e crua. Com a instituição do Prouni, surge uma luz no fim do túnel para os alunos das escolas públicas que não têm acesso aos cursinhos. As licenciaturas, por exemplo, com aulas à noite podem permitir aos estudantes unir o útil ao agradável, trabalhando durante o dia e estudando nesses cursos noturnos. Dentro da sociedade atual, possuir uma formação de nível superior é muito importante para o mercado de trabalho. O vestibular, muitas vezes, funciona como uma barreira difícil de ser vencida pelo candidato e um eventual insucesso no concurso pode significar para ele voltar à estaca zero em suas aspirações. Nesse caso, o aluno deve parar para pensar, embora o mundo esteja cheio de problemas,, a esperança é a última que morre. Existem sempre novas oportunidades, tentar de novo ou, quem sabe, melhorar sua redação, evitando lugares-comuns e clichês, como os empregados no presente texto. Diante do exposto, concluo dizendo aos candidatos que escrevam como lhes ensinam os manuais do vestibular. Não fiquem com medo, tangenciando ou fugindo do tema, façam-no progredir, mesmo que estejam diante de suas primeiras experiencias (textuais). Mas não esqueçam que vocês deverão usar a língua culta, de preferência com criatividade. No mais, respirem fundo e mãos à obra. |
Filhos da Macega
Antes de eu casar com a minha mulher, vivemos catorze anos juntos e felizes. Uma tia dela, no entanto, não gostava dessa situação e costumava comentar com os estranhos que tínhamos casado atrás da igreja, um eufemismo para não dizer que vivíamos em concubinato ou que éramos amantes, palavras que não pegavam bem. Esse era (e ainda é) um dos ranços dessa sociedade hipócrita que se diz cristã, mas que, na prática, discrimina as pessoas. Aliás, a igreja é um aparelho ideológico bastante repressivo (ler Louis Althusser, em Os Aparelhos Ideológicos do Estado), pune quem não obedece suas leis. O Papa, por isso mesmo, já excomungou muita gente boa no transcorrer da História. Outro problema que é fruto do preconceito influenciado pela igreja se refere ao que os gaúchos chamam de filho da macega, ou seja, filho fora do casamento. Acontecia também com as mães solteiras que, de repente, apareciam com uma cria ao pé. Minha avó paterna arranjou cinco filhos nessas condições, mas eu não tive o prazer de conhecer o meu avô. Era de ascendência afro-brasileira e fez um filho bom que foi o meu pai. |












Délcio Barros da Silva






